segunda-feira, 14 de julho de 1975

COLÉGIO MARIA SANTÍSSIMA DISPENSADORA DE TODAS AS GRAÇAS

Por Roque Salvan
 roquesalvan@gmail.com

No ano em que o COLÉGIO MARIA SANTÍSSIMA DISPENSADORA DE TODAS AS GRAÇAS, fecha as portas, o poder executivo fumacense, através da Lei Ordinária nº 266, de 14 de julho de 1975, autoriza a concessão de auxílio financeiro para talvez sanar um pouco da dificuldade que passava o educandário. A única alternativa para as Irmãs do “Reino de Maria”, que fecharam o colégio no dia 20-12-1975, foi no ano de 1976 irem embora para Argentina, a bordo de uma única Kombi que sobrou.

Com a vinda do primeiro Padre para o Distrito de Morro da Fumaça, vindo de APUCARANA no Estado do Paraná, Padre Francisco Korner, o Padre Chiquinho, um Austríaco, trás com ele as freiras do “Reino de Maria”: Madre Maria Gertrudes (Maria Hauke, Freira também vinda da Áustria), Irmã Maria Nazaré, Irmã Verônica, entre outras). 







A chegada do Padre Vigário na Vila foi uma beleza felliniana como as “Noites de Cabíria”. De um caminhão, desceram o novo vigário, a madre fundadora do Reino de Maria, umas noviças, duas vacas holandesas e muitas galinhas. Em Janeiro de 1962, forças políticas na vila convencem o bispo a "transferir" Pe Chiquinho para a Comunidade de Santana em Urussanga-SC e em seguida transfere-se para a Cidade de Juiz de Fora nas Minas Gerais.

Padre Francisco Korner,  além da Igreja, nos quatro anos de pastoreio,  junto com o povo, construiu o COLÉGIO-CONVENTO MARIA SANTÍSSIMA DISPENSADORA DE TODAS A GRAÇA, para as irmãs, gratuitamente.

1975, o fim do COLÉGIO MARIA SANTÍSSIMA DISPENSADORA DE TODAS AS GRAÇAS

18 anos (12/01/1958 a 20/12/1975) foi o tempo que as freiras do “Reino de Maria”, permaneceram em Morro da Fumaça, voluntárias administrando o Colégio MARIA SANTÍSSIMA DISPENSADORA DE TODAS AS GRAÇAS. Foram quase duas décadas dedicadas à educação dos nossos morrofumacenses, dependendo sempre de ajuda da comunidade e de pais de alunos para manter os custos do colégio. Foram guerreiras!
Diz a história, que após o encerramento das atividades do colégio em 20/12/1975, por questões financeiras, o único bem que restou para as irmãs foi uma Kombi em que com ajuda de algumas pessoas mais próximas aqui na cidade, conseguiram recursos financeiros para irem embora para a Argentina.
A despedida foi triste, pois chegaram no ainda distrito de Morro da Fumaça, em 1958, em cima de um caminhão, junto com o novo vigário, a madre fundadora do Reino de Maria, traz umas noviças, duas vacas holandesas e muitas galinhas.




Carta escrita em 1976 pela Madre Maria Gertrudes à Dona Adelina Brognoli Frasson, esposa do Ex-prefeito Auzílio Frasson. 
Gentileza de Jackson Roque Frasson


COLÉGIO MARIA SANTÍSSIMA DISPENSADORA DE TODAS AS GRAÇAS
“eu estudei aqui, aqui, aqui...", o colégio das irmãs, não nego que muitas vezes fiquei de castigo, ficar de joelhos sobre grãos de milho, mas valeu a pena, melhor castigo era ir para a sala de 
fábrica de hóstias, papando hóstias.
LISTA DE EX-ALUNOS
Turma de 1971 a 1974
- Alda Maria Anfilóquio
- Antonieta Maria dos Santos
- Antoninho Luiz da Silva
- Antônio Maximiano
- Augusto D´Agostin
- Bárbara Nunes
- Carmem Lúcia Inocente
- Carpunia M. Gomes
- Cecília Moraes dos Santos
- Cilézia Mendes
- Cinamar Marciano
- Claudino De Pellegrin “Bigica”
- Cleide Maximiano
- Davino Salvan
- Dicéia Maximiano
- Dionaldo Salvan
- Édio Salvan Buratto
- Edison Salvan Buratto
- Edina Regina Costa
- Eli Lourdes Peruchi
- Florentino Rezende “Bíba”
- Gilmar de Lima Marciano
- Glória Silveira
- Isabel Moraes dos Santos
- Isabel Pedro Ramos
- Jaime José Bortolin
- João da Silva
- José Ageu Ferreira
- José Carlos Barros
- José L. da Silva Patrício
- Jucélia Guollo
- Linaura Machado Euzébio
- Lúcia Terezinha Medeiros
- Luiza Medeiros
- Manoel Damázio
- Manoel Luiz Ávila
- Marcio Luiz Maccari
- Maria Albertina Fortunato
- Maria Albertina Zanin
- Maria das Graças Fortunatto
- Maria de Fátima Salvan
- Maria de Fátima Sartor
- Maria do Carmo da Silva
- Maria do Carmo Pellegrin
- Maria Marli Pavei Áurea
- Maria Rosana Simon
- Mariléia Vieira
- Marinelza Vieira
- Mário César da Silva
- Marlene Francisco
- Muricy Francisco
- Nazaret Antunes Stefane
- Neide Maria Maximiano
- Neusi Souza Antunes
- Orlando Bertan
- Osmar Vargas
- Osni Vargas
- Otomar Spech
- Pedra Rodrigues Peixoto
- Realdo Antonio Sartor
- Rute Inês Vanderlind
- Sandro Crema
- Sandro Schmidt
- Santos Fortunato
- Silier Terezinha Mendes
- Silvio Smieleski
- Sirlei Maria Salvan
- Teresinha da S. Bitencourtt
- Terezinha da Silva
- Terezinha Maria Cizeski
- Valdeci Sartor
- Valmor Cizeski
- Vanderlei Zilli
- Venício Frasson
- Volney Roque Bertan
- Zélia Sartor
- Zuleide Damian Préve Salvan

Leia mais sobre o COLÉGIO-CONVENTO MARIA SANTÍSSIMA DISPENSADORA DE TODAS A GRAÇA no link do Padre Francisco Korner




quinta-feira, 18 de junho de 1970

Peça Teatro em Morro da Fumaça - ALMA SERTANEJA - A VELHA GUARDA



No palco da vida – “Grupo de Teatro Amador Vanguarda” "Velha Guarda".

Narciso Maccari e Amadio Vettoretti - DRAMA - VELHA GUARDA
Relembrar uma antiga paixão em comum é a razão pela qual amigos de longa data estarão realizando um encontro no próximo dia 23, último dia da Maggiofest, em Morro da Fumaça. A festa resgata histórias e memória do povo fumacense.

A paixão pelo teatro uniu as vidas de Alirio Maccari, Amadio Vitoreti, Antonio Luiz Cechinel, Jakson Roque Frasson, João Luiz Salviato (in memorian), José Luiz Maccari, José Manoel Medeiros, Lindomar José Savaris, Lourival Rosalino Laureano, Martinho Rosa (in memorian), Mario Dalpiaz, Moacir José Fernandes, Moacyr Toretti, Narcísio Maccari, Nilton Bitencourt, Pedro Antonio Maccari, Tadeu Sigieski, Valdemar Saccon e Valdemar de Souza. No início da década de 60, estes amigos formaram o grupo de Teatro Amador Vanguarda. As apresentações divertiam, emocionavam e faziam com que a pequena e pacata cidade de Morro da Fumaça pudesse apreciar a bela arte de interpretar.

Como naquele tempo não tinham carro e nem televisão para se distrair, os amigos José Luiz Maccari, o Zezo, e Antonio Luiz Cechinel, o Toni, trouxeram do seminário a ideia do teatro. Os ensaios aconteciam à noite e a primeira apresentação foi no paiol da casa do pai do Zezo, Teodoro Maccari. Sem saber se teria público, os artistas preparavam tudo certinho. "Meu pai armazenava sacos de farinha no paiol, e tivemos que retirar daquele espaço para acomodar a plateia", relembra Zezo. Com a divulgação feita através de panfletos e pelo alto-falante da igreja matriz São Roque, a primeira apresentação lotou. "Acredito que em torno de 200 pessoas foram nos prestigiar", conta Zezo.

O cenário era feito com pano, madeira e tinta. A madeira era fornecida por um dos artistas, o Tadeu, que era marceneiro. Já a criação dos cenários ficava com os dons artísticos de Toni.

A alegria do Teatro Amador Vanguarda também foi visto nos municípios vizinhos, como: Sangão, Jaguaruna, Mineração de Içara, Içara e no distrito de Estação Cocal. Zezo também conta que em Jaguaruna as pessoas comentavam que gostaram da apresentação e que até o padre, da época, Ludgero Locks, um senhor carrancudo, sorria nas apresentações.

As peças eram de comédia e drama. O carro-chefe do teatro era a peça "Alma Sertaneja", que contava o drama da seca no nordeste. Essa peça tinha três atos e três cenários. "Henrique 8º, o Nero da Norte" também era outra peça de drama. Já as comédias contagiavam o público com muita risada. Para manter as apresentações, o grupo cobrava entrada e o lucro era para pagar as despesas com o cenário.

O grupo era famoso e acabava despertando a admiração das moças. Lindomar Savaris engatou um namoro com Selene Frasson, com quem é casado até hoje, porque lhe deu um ingresso para assistir a um espetáculo. "Ela ficou toda contente e se apaixonou por mim", conta Savaris. Entre tantas outras histórias contadas pelos amigos, hoje apenas resta a lembrança e boas risadas. Mas todos são unânimes em dizer que o teatro foi a única coisa boa que fizeram na juventude. "O teatro foi nosso maior passatempo e tínhamos uma forte amizade", relembra, saudoso, Zezo.

Com o passar do tempo, alguns artistas foram casando, mudando de cidade e então o grupo começava a se dispersar. No ano de 1965, nenhuma apresentação aconteceu. Apenas no ano seguinte o grupo ressurge com novos integrantes e novo nome, "Velha Guarda". Mais algumas apresentações e depois acabou a diversão do teatro. A turma de amigos nunca mais se reuniu para apresentação no palco.

Em 2005, os amigos se reuniram para um almoço de reencontro que contou com a presença de todos, menos de dois artistas já falecidos. Agora, nas comemorações do centenário de Morro da Fumaça, o grupo vai se reunir para mais um momento de recordação.
 Texto e entrevistas: Gabriela Recco